Por Jane Freitas

Carência afetiva, dependência emocional e autoabandono nunca mais! Você é totalmente dona de si!

No dicionário, define-se o amor como sendo um sentimento de afeto, prazer, bem-querer, zelo, dedicação, etc.

Ao longo da existência humana, essa energia sem formato e medidas passou a ser interpretada e romantizada em declamações poéticas, eternizada em contos de fadas, dramatizada em filmes, novelas e, obviamente, idealizada em canções.

Visto como um sentimento nobre, puro, de coração e doação, passou também a ser condicionado como um sentimento de “dar sem esperar receber nada em troca”. (Vou abrir aqui um preciso parêntese para explicar que não estamos tratando de questões materiais no “receber”. Mas sim – e totalmente – no sentido de reciprocidade de sentimento, que fique bem claro isso).

Para que haja equilíbrio, o relacionamento afetivo deve ser como uma balança: ambos os lados alinhados na proporção do que se sente e se vivencia um com o outro.

Se um lado pende mais, existe ali um sinal de alerta de que algo não está bem. Em se tratando de amor – pelo qual estamos falando – alguém pode estar se doando mais, se anulando mais, sofrendo mais para manter o outro inteiro, para manter de pé a relação. Quando isso acontece, inconscientemente, o que se alimenta ali não é o amor, não é o sentimento do outro, mas o seu ego. Nesse momento, a submissão é certeira, o autoabandono, a carência afetiva e a co-dependência do outro aumentam. Amor-próprio? Autoestima? Nem pensar.

Tudo passa a ser pelo outro, o outro, o outro. E depois se estende para: — “O que minha família vai pensar se ele se separar de mim? O que os nossos ‘amigos’ e a sociedade vão falar? E se ele me trocar por outra? Vou perder minha comodidade financeira? Nesse caso, acho melhor e mais sensato, que eu faça então todas as vontades dele, afinal eu o amo, não é mesmo? Ou acho que amo [… ]. Há tanto tempo estamos juntos! Antes, ruim com ele do que pior sem ele. Vamos deixar como está, quem sabe algum dia ele muda”.

A partir daí, o relacionamento passa a ser de status, de aparência, comodismo, submissão. Em muitos casos – e sabemos bem disso – logo surgem os desentendimentos e as agressões psicológicas. Brigas e discussões passam a ser frequentes, carregadas muitas vezes de empurrões, socos, traições, lágrimas, tristeza, depressão […]. Infelizmente, ainda há muitas mulheres que consideram isso como normal em uma relação. Se normatizam fatos, situações, mesmo que absurdos. E ainda ouvimos dizer que isso “faz parte, acontece”. Não, não faz parte! Não acontece!

Querida amiga, lembre-se sempre disso: ninguém muda ninguém. Somente a pessoa pode mudar se ela assim o desejar, do contrário, não.

Conformar-se com o que você está vivendo é se autoabandonar, se autossabotar, deixar de lado o verdadeiro amor da sua vida que é você mesma.

Já falamos em diversas matérias sobre o viver de migalhas em um relacionamento, sobre padrões familiares que se repetem, mas que podem ser libertados a partir do momento que tomamos posse de nossas vidas e fazemos escolhas assertivas e coerentes.

Você nunca vai estar só. Independentemente do que os “outros” digam e encham a sua cabeça de asneiras, só você pode tomar a decisão final, só você sabe o que sente no íntimo do seu coração, da sua alma, dos seus anseios, desejos, o que realmente quer.

Não permita que uma falsa imagem imposta por outros te impeçam de seguir em frente e conduzir a sua vida. Se o seu lado da balança está mais pesado, cadê o equilíbrio da relação? Perceba que enquanto você sustenta o outro, você fica por baixo, na posição de doadora total, tanto de sentimentos quanto da sua própria existência. Você, dolorosamente, vai se despedaçando para manter o outro inteiro. Você doa um sentimento tão nobre para quem não lhe dá o devido valor e, na maioria das vezes, o que mais te oferece são gritos, xingamentos, machucados. Machucados que atingem mais do que o físico, que ficam registrados na alma, em cicatrizes que não saram – muito pelo contrário – sagram constantemente. Por favor, reflita por um momento: a troco de quê?

Lembra-se da definição de amor, segundo o dicionário, dito no início dessa reflexão? Pois agora vamos além.

Descubra-se.
Resgate o seu poder pessoal e se dê a chance de ser feliz!

O amor é sim um sentimento nobre, puro, de doação realmente. Mas é um sentimento prioritário de dar a si mesma. Você é e sempre será o seu primeiro amor, seu amor real. Se dê totalmente esse sentimento lindo que sempre ofereceu genuinamente ao outro.

Pode até te parecer estranho no início, mas faça isso como um exercício diário, acostume-se a se amar, a se priorizar!

Quando descobrimos o valor que temos, quem somos, o que queremos, não permitimos que nada nem ninguém nos humilhe, ofenda, subestime. Passamos a perceber que somos seres completos, únicos, que não necessitamos do outro para suprir as falsas necessidades projetadas pela mente, ou absorvidas por antigos aprendizados/padrões impostos pelo meio externo, e que se enraizaram negativamente em sua vida como crenças limitantes. O passado ficou para trás. A vida é vivida no agora e é você, somente você, quem está no controle.

O amor, quando verdadeiro, é compartilhado com naturalidade. É vivenciado com leveza, satisfação, bem-estar, comunicação recíproca e fluida.

De uma forma “romantizada e exagerada” aprendemos que precisamos, obrigatoriamente, encontrar alguém que nos faça totalmente e eternamente felizes, que supra todas as nossas necessidades, sempre, senão vamos morrer sozinhas […].  Socorro!!!! Se estamos esperando por um príncipe encantado que nos carregue o tempo todo nos braços – ou melhor dizendo – nas costas, vamos então esperar sentadas o resto da vida!

Afinal, desejamos alguém por sentimento, por amar realmente essa pessoa, ou estamos atendendo as expectativas dos outros por conveniência?

Não estou dizendo que não existam casais que sejam realmente felizes. Com certeza há entre aqueles que possuem equilíbrio na relação e sabem compartilhar reciprocamente os sentimentos.

A reflexão aqui é o entendimento que, ao projetar no outro grandes expectativas, idealizar como ele deve ser em seus mínimos detalhes e esperar que ele supra todas as suas necessidades, dores, faltas inconscientes, situações mal resolvidas do seu passado é simplesmente viver de ilusão. Pior ainda se você estiver vivenciando um relaciomento tóxico, abusivo. Isso se potencializa.

Se dê a chance de ser realmente feliz, de ser livre, de ser você mesma, de fazer as coisas que te agrada, sem cobranças, imposições ou maustratos.

Liberte-se das correntes do apego, da co-dependência, da carência que só existe em sua mente. Você é completa!

Olhe-se no espelho, veja, perceba e sinta a mulher maravilhosa que é. Forte, decidida, imponente, trabalhadora, inteligente. Não se rebaixe, não seja submissa a ninguém. Você não precisa disso. Esqueça o que os outros vão falar. Geralmente quem fala não sabe tomar conta nem da própria vida e se incomoda com aqueles que tem coragem e ousadia de ser autêntico, verdadeiro, honesto.

Passe aquele batom que você adora, aquele hidratante suave que deixa sua pele mais macia. Cuide do seu cabelo, mude o visual se se sentir à vontade. Onde guardou aquele vestido, aquela saia ou calça que acentua as suas curvas? O corpo é seu! Tome posse dele! Quando foi a última vez que você saiu com aqueles amigos (as) especiais (verdadeiros) para bater papo e dar boas risadas? Se no momento você não os têm, saia assim mesmo. Dê uma volta pelo shopping, se distraia vendo as lojas, sonhe! Caminhe pela praia ou até mesmo pelas ruas do seu bairro. Faça uma caminhada saudável, cuide da sua saúde, da sua autoestima, da sua autoconfiança.

Volte a estudar se parou. O que sempre sonhou ser, exercer? Se quer voltar ao mercado de trabalho, procure por um que lhe dê prazer, assim você terá sua liberdade financeira, será dona do seu próprio dinheiro e não terá que dar satisfações a ninguém.

O que você deseja, você pode, lembre-se disso. Ame-se em primeiro lugar. Reescreva sua história como quiser. Preencha suas paginas diárias com flores, perfumes, beleza e prazer. Isso não é utopia ou conto de fadas, é realidade. Você a cria!

Pense em sua vida nesse momento e reflita como ela está. Imagine o que gostaria de vivenciar: dar amor a si mesma ou viver de migalhas e autoabandono?

Levante a cabeça. A estrada assertiva da vida é sempre para frente. Decida pela sua felicidade! A partir de agora, sempre que se levantar pela manhã, diga e afirme para você mesma: — “ O que posso fazer de melhor por mim hoje?” Faça! Cuide-se! Seja!

Você é totalmente dona de si!

Escrito por

Jane Freitas

Jornalista, colaboradora do Observatório Chega