Números de feminicídio na pandemia assustam

Por Duda Gouveia

Durante a pandemia uma mulher foi morta a cada nove horas apenas por ser mulher, crime categorizado como feminicídio. Ao todo, 497 mortes foram registradas entre março e agosto, segundo dados do monitoramento “Um vírus e duas guerras”, realizado pela parceria entre sete mídias jornalísticas independentes.

Em 2019, o Brasil teve um feminicídio a cada sete horas. Segundo dados do Monitor de Violência do G1, foram 1.314 casos registrados, pelo menos 7,3% a mais que no ano de 2018.

Apesar de parecer que os casos diminuíram este ano, a verdade é que o problema é ainda maior do que parece, pois sete estados do Brasil não colaboraram com dados, ou seja, as mortes registradas são de apenas 20 estados do país.

Além disso, há uma outra questão a ser levada em consideração: muitos casos de feminicídio ainda são notificados como homicídio, algo que é um obstáculo para a apuração de dados reais.

Para simplificar: o homicídio é a morte que acontece por questões não relacionadas ao gênero, como em assaltos, por exemplo. O feminicídio, por outro lado, é a morte de mulheres apenas por serem mulheres, como em situações de violência doméstica, ódio ou discriminação à condição de mulher.

“Um vírus e duas guerras” reúne várias entidades e ONG’s dispostas a monitorar os casos de feminicídios e violência doméstica até o final de 2020, com o objetivo de apoiar o debate e propagar notícias verdadeiras, que precisam ser ouvidas. É uma parceria colaborativa entre as mídias Amazônia Real, #Colabora, Eco Nordeste, Marco Zero Conteúdo, Portal Catarinas, AzMina e Ponte Jornalismo.

Muito ainda precisa ser feito

Os números de feminicídios são chocantes e retratam a face mais cruel da opressão histórica às mulheres. Apesar de o movimento feminista ter nascido no século 19, antes disso já existiam mulheres que lutavam para serem livres.

Com o passar do tempo, elas conquistaram o direito de estudar, votar, se divorciar e escolher a própria profissão, coisas que antes eram proibidas.

Hoje a chamada “quarta onda feminista”, usa a internet para ampliar debates, criar movimentos e divulgar casos com muito mais facilidade. Afinal, não existem barreiras geográficas quando se trata do mundo online. Entretanto, muito ainda precisa ser feito.

Porque o feminicídio, o abuso sexual, a agressão física e psicológica, a desigualdade de gênero e outros problemas ainda estão presentes no dia a dia das mulheres. Tudo isso tem sido potencializado na quarentena, como mostra a pesquisa.

Para a psicóloga e professora Luci Mara Lundin, o isolamento social pode sim influenciar o aumento da vioência. “Junta uma situação que já é de violência, com uma mudança drástica na rotina diária, a insegurança que a gente está vivendo, de saúde pública, financeira, questão de trabalho… Esses são fatores que, junto ao permanecer o tempo inteiro junto com o agressor, deve ter aumentado sim.”

Além disso, a psicóloga acredita que a reação contra essa situação tem que ser feita em conjunto, agindo na prevenção do feminicídio e no suporte às mulheres que passam por situações de agressão. “A maioria se sente responsável, muitas vezes. Então, tentar fazer um trabalho junto à sociedade, com meninas pequenas, jovens, para que se possa prevenir a chegar nesse extremo.”

Nesse sentido, além da opção de ligar para o 180, Central de Atendimento à Mulher, algumas iniciativas estão em ação, como:

  • SOS Mulher: aplicativo que permite que mulheres denunciem agressões ao apertarem um botão no celular;
  • PenhaS: aplicativo que ajuda as mulheres a terem informação, redes de proteção e também a denunciarem casos de violência;
  • Magalu: a loja Magazine Luiza também disponibilizou em seu aplicativo um botão onde a mulher pode clicar e denunciar violência doméstica.

Se você está nessa situação ou conhece alguém que possa estar, busque ajuda aos primeiros sinais de violência. Lembre-se: você não está sozinha!

Escrito por

Equipe Chega!

Grupo de alunos, ex-alunos e professores da Universidade Santa Cecília – FaAC, metendo a colher para conectar pessoas, ideias e lutas, dispostos a contribuir com o debate público sobre a violência contra a mulher.