Viviane, Thalia, Evelaine, Loni, Anna Paula e Aline, todas mortas cruelmente na semana do Natal. Assassinadas por maridos, ex-companheiros, namorados, comprovando os dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que já apontou essa triste realidade: 88,8% dos feminicídios são praticados pelos próprios companheiros. Sem contar as Marias, Clarices, Joanas que apanharam caladas; as Danis, Isas e Anas que foram assediadas por chefes e patrões inescrupulosos; as Claras, Márcias e Luízas ameaçadas, humilhadas, agredidas psicologicamente ou moralmente no trabalho, na rua, no transporte público,  nas suas próprias casas. Desde o seu início, em julho de 2019, o Observatório Chega! entendeu o feminicídio como o ato extremo de uma violência que, na real, é muito mais frequente, comezinha, tolerada e até alimentada pela nossa sociedade, uma sociedade que ainda pensa e age dentro de normas patriarcais, que trata rapidamente de buscar os deslizes, os erros, as culpas das vítimas e que tarda a colocar em marcha políticas públicas de proteção efetiva e acolhimento à mulher. E que se construa o arcabouço legal para isso. E que se treinem policiais, delegados, promotores, defensores e juízes para lidar com o problema. E que a Imprensa faça sua parte: denuncie, contextualize, busque enquadramentos muito além das páginas policiais. O Observatório Chega! quer ser parte desse amplo debate. Do jeito que está, não pode ser. Não é justo, não é humano. Precisamos falar sobre violência doméstica nas nossas casas, nas escolas, nos nossos projetos acadêmicos. Só assim conseguiremos desconstruir dogmas, crenças e conceitos arraigados há séculos. O trabalho é imenso e não tem data para estar concluído. Singelamente vamos fazendo a nossa parte. Chega!

Escrito por

Equipe Chega!

Grupo de alunos, ex-alunos e professores da Universidade Santa Cecília – FaAC, metendo a colher para conectar pessoas, ideias e lutas, dispostos a contribuir com o debate público sobre a violência contra a mulher.