Por Maíra Morales Fonseca

14 anos. Ele, o garoto mais popular da escola. Numa festa de 15 anos nos beijamos. Ele tentou botar a mão por baixo do meu vestido e eu tirei. Tentou de novo, eu disse não, ele insistiu, e eu deixei. Eu era virgem, mas e se eu não fizesse aquilo será que ele iria querer continuar ficando comigo? Eu merecia aquilo. Eu quis ficar com ele, deveria saber. Eu mereci…

18 anos. Ele era um menino nerd, bonito, diferente daquele menino popular da escola. Eu gostava dele, ele era bom para mim. Não importa que me pedisse para não me arrumar tanto, pois eu era muito bonita para ele, eu merecia ficar mais feia. Não importa que ele não tenha ficado com tantas pessoas na vida quanto eu, só por isso ficava com outras. Eu mereci…

20 anos. Conheci o moço numa festa. Passamos a morar juntos, viver juntos. Ele desenvolveu um trabalho e ficou ocupado demais. Eu fui carente, demandava aquela atenção e ele terminou comigo. Eu implorei para voltar. Eu disse que não precisávamos namorar, podíamos só nos encontrar para transar. Ele aceitou e foi até à minha casa. Ele disse que se eu queria só transar, tudo bem, mas ia ser do jeito dele. Tentei beijá-lo, ele não deixou. Me jogou na cama e forçou contra mim. E sem me beijar, segurando meus braços e meu pescoço, terminou o que tinha para fazer e foi embora. Fiquei ali jogada, sem entender. Eu pedi por aquilo, não? Eu mereci…

24 anos, e eu decidi que ia mudar. Apareceu um cara legal, quis dar uma chance. Finalmente uma relação estável. Ele queria tanto o meu bem que me dizia para não usar decote ou roupas curtas, pois eu correria risco de alguém ter más intenções comigo. Cuidava tanto de mim que dizia que eu não poderia postar foto de biquíni, pois imagina o que pensariam de mim? Ele me protegia tanto que me puxava pelo braço com força toda vez que um amigo vinha me cumprimentar, depois ria dos roxos no meu braço. Eu mereci…

Eu NÃO mereci!