Lideranças feministas repudiam absolvição de PMs acusados de estupro em Praia Grande

Faixas, cartazes e palavras de ordem contra a cultura da impunidade. Fotos: @mbkfotografia

Entoando o bordão “O violador é você!”, lideranças feministas da Baixada Santista participaram de ato na tarde dessa sexta (25/7) em Praia Grande. O foco do encontro era manifestar total repúdio à absolvição de dois policiais militares acusados do estupro de uma jovem de 19 anos, dentro de uma viatura da PM. O juiz Ronaldo Roth, da 1ª. Auditoria Militar, que julgou o caso, alegou que a vítima poderia ter resistido à investida dos policiais. Segundo o magistrado, ela “nada fez para se ver livre da situação” e “não reagiu”, deixando subentendido o consentimento do ato. A decisão, que está em segredo de Justiça, foi lida aos réus na semana passada e ainda cabe recurso

De acordo com a vítima, que aceitou a carona oferecida pelos policiais, pois havia perdido o ônibus, ela teria sido obrigada a fazer sexo oral e vaginal com um dos policiais, enquanto o veículo da PM estava em movimento e com o giroflex ligado. Em nota, o movimento Esquerda Feminista de Praia Grande, que liderou a manifestação, declarou sentimento de “indignação” e “estarrecimento”.

“Qual reação a jovem poderia ter dentro de uma viatura com dois policiais armados, em um local deserto à noite?”, pergunta a nota.  O documento lembra que o motivo pelo qual a jovem se aproximou da viatura foi justamente para pedir ajuda. “Entendemos que o  fundamento da sentença é inconstitucional, viola sistematicamente direitos humanos protegidos nacional e internacionalmente por tratados internacionais, em que o Brasil é signatário, além de ser extremamente frágil e que o caso é mais um exemplo de como a justiça opera do ponto de vista patriarcal quando se trata da figura feminina. A absolvição dos policiais parece uma história de realismo fantástico”, registou a EFPG.

Escrito por

Equipe Chega!

Grupo de alunos, ex-alunos e professores da Universidade Santa Cecília – FaAC, metendo a colher para conectar pessoas, ideias e lutas, dispostos a contribuir com o debate público sobre a violência contra a mulher.