Institutos, grupos feministas, empresas e tecnologia juntos para apoiar as mulheres em situação de violência. Você também pode ajudar, faça a sua parte

Qualquer pessoa minimamente informada sabe que os casos de violência doméstica estão em plena escalada nesses tempos de confinamento. O Ministério Público de São Paulo contabiliza que apenas no primeiro mês de isolamento social, as prisões em flagrantes cresceram quase 50%, enquanto os pedidos urgentes de proteção para a mulher vítima da violência, tiveram aumento de 29,2% – foram 1.934 medidas protetivas de urgência em fevereiro, contra 2.500 em março. Isso sem contar que a subnotificação também tende a ser muito maior nesses tempos, já que, vivendo com o inimigo, a mulher tem muito mais dificuldade de denunciar.

Mas a rede de apoio, felizmente, também cresce. Se articula, cria alianças, se fortalece e aposta na criatividade e na tecnologia para ajudar mulheres que sofrem dentro de casa. Na Baixada Santista, a ONG Hella, de informação, orientação e atendimento às vítimas de violência doméstica, divulgou um vídeo para alertar a população para o aumento nos casos de agressão.

Ativistas da Baixada, representantes de vários coletivos e segmentos da região, participam da iniciativa que apresenta os contatos para denúncias e acolhimento de mulheres em situação de violência doméstica.

A ideia é reforçar a mensagem de que nenhuma mulher está sozinha. Em Santos, elas podem pedir orientações pelo 13 997522414.

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Na capital, desde março, sob a liderança da promotora de Justiça, Gabriela Manssur, o grupo Justiceiras, uma grande rede de mulheres, de todas as áreas atende aos pedidos de socorro ou de orientação pelo telefone 11 99639-1212. Em poucos dias a rede colocou à disposição das mulheres dois mil profissionais da área jurídica, psicológica saúde e assistência social que prestam o atendimento.

No início de maio, as Justiceiras se aliaram à empresa de entregas Rappi, que colocou um botão de socorro no seu aplicativo, o “SOS Justiceiras. Qualquer mulher em situação de vulnerabilidade pode acioná-lo para receber apoio das profissionais.

Outra iniciativa nesse sentido foi disparada pelo Magazine Luiza. O aplicativo da loja, chamado Magalu, contém um botão de pânico. O serviço será permanente e permitirá que qualquer pessoa ligue diretamente para o 180, número da Central de Atendimento à Mulher criada em 2005 pelo governo federal. A iniciativa integra um histórico de engajamento com o combate à violência contra a mulher da empresa, como a campanha #EuMetoAColherSim, que incentivava as denúncias de casos de abuso, tanto pelas vítimas como por terceiros.

Muito útil nesse ambiente sombrio, o aplicativo Juntas, (desenvolvido para os sistemas Android e iOS) é também uma arma social de auxílio ao enfrentamento a violência contra a mulher. Qualquer pessoa poderá fazer uso do aplicativo e fazer parte de uma rede de proteção e de informações sobre violência contra a mulher. A mulher escolhe em sua rede de contatos até três pessoas de sua confiança para ser suas protetoras ou seus protetores. É possível também, escolher as pessoas as quais se quer dar proteção.

Em caso de ameaça ou iminência de algum tipo de violência o botão liga/desliga do celular, pressionado 4 (quatro) vezes, acionará o botão do pânico e as protetoras/protetores receberão um sinal de alerta com o som de uma sirene, farão a localização da possível vítima, através do geoposicionamento do Google Maps.

Fique ligada

Você também é parte desse movimento. Conhece pessoas que vivem em situação de risco? Tem amigas com histórico de violência doméstica? Ligue para elas, mande mensagem, tentem entender se está tudo bem e ajude a fechar o cerco sobre os agressores. O telefone 180 pode salvar muitas vidas.

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Chega Admin

Grupo de alunos, ex-alunos e professores da Universidade Santa Cecília – FaAC, metendo a colher para conectar pessoas, ideias e lutas, dispostos a contribuir com o debate público sobre a violência contra a mulher.